A missão da independência

By on 30 de junho de 2017

A AEBP funciona de maneira a buscar retomar a trilha do verdadeiro escotismo, escrito e idealizado por BP. Neste intuito, a percepção da necessidade de voltar à origem é uma constante em nossa associação. Há, contudo, que se pontuar alguns tópicos essenciais ao desenvolvimento e desempenho das atividades em virtude da compreensão de dois grandes pilares da nossa associação: O que é Escotismo tradicional? O que é ser independente? Neste breve artigo buscaremos esquematizar, ainda que de forma bastante resumida, a noção da Associação.

Tópico 1: O que é escotismo tradicional?

O Escotismo tradicional remonta aos princípios enunciados por BP quando da escrita do livro “Escotismo para rapazes”. Esta obra, a principal do Movimento Escoteiro, mostra como o fundador pensava e, de forma fundamentada, quais os propósitos a que serviria o Movimento. Assim, a AEBP ao denominar-se uma associação tradicional reafirma seu interesse de resgate do Método Escoteiro como uma orientação que dá certo desde que iniciado seus primeiros passos.

Viver ao ar livre, mediante aceitação das Leis e da Promessa, conforme preconiza o Método é essencial para que possamos dar conta de toda a relação necessária ao desenvolvimento infanto-juvenil, com base no caráter eminentemente transformador, tendo como base a relação individual do ser com Deus, a Pátria e o Próximo, fazendo-o perceber-se enquanto parte de uma sociedade que deve obrigatoriamente fazer seu melhor para tornar aquele espaço mais aprazível e salutar.

Tópico 2: O que é ser independente?

Fazer parte de uma entidade independente é um movimento de reforma do entendimento homogêneo e autoritário. É, ao mesmo tempo, um movimento de vanguarda, de desapego de determinadas amarras e invencionices que em nada constroem para o desenvolvimento dos membros, quer crianças, adolescentes ou adultos. Os escoteiros independentes buscam exercer sua autonomia com relação aos assuntos denominados eletivos ou opcionais.

Em suma, ser independente permitir que cada unidade local, isto é, cada associação ou grupo escoteiro possam livremente escolher elementos que se relacionam com a realidade local, sem que isso interfira nas questões essenciais quanto ao Método Escoteiro. Isto é, em palavras mais simples, o grupo pode escolher tudo o que lhes sejam elementares de natureza administrativa: cor do lenço, dia e horário das reuniões, programação e realização de atividades, realização de convênios, organização do calendário e participação de atividades nacionais, etc.

Até onde a independência poderá unir os associados?

Como já foi dito, a independência se concentra na relação dos elementos particulares do Grupo. A forma como fazem determinadas coisas, como organizam-se, como fazem para captar recursos e outras questões que interferem na esfera administrativa do Grupo. Ser independente é, antes de qualquer coisa, estar preocupado com a unidade (e não unicidade) da Associação. É possível, por obvio, que haja discordância entre membros de um Grupo ou Associação, mas devemos ter em mente o que, de fato, nos une. Essa é a grande problemática que nós, enquanto adultos, devemos ter em mente para fazer o diferencial na relação com o outro: é possível, num universo de independência e de autonomia, criar uma identidade para a Entidade Nacional. Ser independente é ter um compromisso com as propostas que Vera Barclay nos deu, para o Ramo Lobo, que BP nos deixou para o Ramo Escoteiro e Rover/Ranger.

Independência significa ausência de normatização?

Quando BP fundou o Movimento Escoteiro, ele pensou na existência de uma normatização (Leis e Promessa) para que os jovens pudessem, de posse desses instrumentos, trilhar seu próprio caminho de desenvolvimento. Sendo assim, reproduzindo os valores por ele pensados, a nossa associação acredita na existência de imperativos de ordem geral que disciplinam determinados assuntos em nossa relação interna corporis, isto é, no cerne da associação.

Ora, se a relação que traçamos com as crianças e os jovens exige reconhecimento de autoridade como Chefes, a Diretoria como elemento de organização do Grupo e a Associação como sendo responsável por disciplinar alguns assuntos de aplicação nacional, a relação dos Grupos com a normatização da Instituição deve ser a mais natural e proximal possíveis.

A autonomia que cada grupo possui repousa sobre os assuntos de natureza eletiva e não como uma relação de liberalismo onde tudo pode e nada é proibido. Nossos objetivos e crenças no desenvolvimento não podem ser concebidos como desgarrados das obrigações legais e estatutárias que as instituições impõem.